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Museu da Língua Portuguesa inaugura nesta sexta mostra sensorial sobre conexão profunda entre palavra e música no Brasil

Mostra 'Essa Nossa Canção' tem ambientes pouco iluminados e sons por toda parte; aos sábados, a entrada é gratuita.

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Museu da Língua Portuguesa inaugura nesta sexta mostra sensorial sobre conexão profunda entre palavra e música no Brasil
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Museu da Língua Portuguesa, no Centro de São Paulo, inaugura nesta sexta-feira (14) a exposição "Essa nossa canção". A mostra retrata a profunda conexão que a música brasileira possui com o idioma falado no país, que reflete a diversidade de seu povo ao incorporar palavras das mais variadas origens.

Com ambientes pouco iluminados e sons por toda parte, a ideia dos curadores Isa Grinspum Ferraz, Carlos Nader e Hermano Vianna é promover uma experiência sensorial aos visitantes e, por meio do audiovisual, apresentar temas que se tornem objeto de reflexão.

"Cada um com o seu repertório vai entrar aqui e ter a vivência que for ter, cada grupo de pessoas vai vivenciar isso de uma maneira diferente e vai se reconhecer em algum lugar, mas a gente não sabe qual", diz Isa.

Exposição "Essa Nossa Canção", no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

Exposição "Essa Nossa Canção", no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

 

A mostra localizada no primeiro andar do edifício começa já no elevador de acesso. A música que geralmente acompanha o público durante a pequena viagem no equipamento deu lugar a uma intervenção sonora criada pelo produtor cultural Alê Siqueira.

Cantos populares entre os brasileiros, como "aê-aê-aê" e "ôôôôô", foram editados e tiveram os vocais extraídos e combinados, de forma a criar uma nova música, composta apenas por elementos pré-linguísticos, sem a presença de palavras.

Além do elevador, pequenas caixas de som embutidas em uma parede próxima à entrada da exposição também reproduzem a composição de Siqueira. Para apreciar, basta que os visitantes se aproximem.

 

Palavras cantadas

 

Na primeira instalação da mostra, caixas de som e lâmpadas incandescentes ficam espalhadas em torno de um espaço circular, no qual trechos de 54 músicas brasileiras são cantadas a capela, de modo que os versos parecem conversar entre si, em uma história contada por diversas vozes.

Palavras Cantadas, parte de exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

Palavras Cantadas, parte de exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

 

O ciclo completo desse cruzamento de canções dura em torno de seis minutos. Nesse período, as lâmpadas se revezam, algumas ascendendo enquanto outras apagam, iluminando de leve o ambiente, que tem som 360º.

 

Recados da língua

 

Painéis reproduzem vídeos de artistas fazendo novas interpretações (a capela) de músicas brasileiras emblemáticas, como "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; "Diário de um Detento", do Racionais MC's; e "Asa Branca", de Luiz Gonzaga.

Segundo os curadores, as dez músicas escolhidas para compor a mostra foram selecionadas por apresentarem algum aspecto inusitado ou desconhecido da relação entre língua e canção.

Carlinhos Brown em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

Carlinhos Brown em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

 

O músico e consultor da mostra, José Miguel Wisnik, interpreta a primeira versão documentada de "Garota de Ipanema", falando também sobre o casamento entre letra e melodia.

"Quando as sílabas se alongam, você sente uma emoção, uma passionalidade. Aqui nessa canção é bem isso, é como se a gente estivesse vendo uma coisa, e aí a voz se distancia, e a gente sente o desejo, a distância, uma certa melancolia", comenta Wisnik.

 

Uma caneta e um violão

 

Um corredor repleto de manuscritos enfileirados de músicas brasileiras de sucesso visam mostrar aos visitantes que o processo de composição requer além de inspiração — escolhas linguísticas podem determinar o quão marcante será a canção.

Manuscritos de músicas de sucesso, em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

Manuscritos de músicas de sucesso, em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

 

Rasuras, parênteses e manchas são fatores em comum nas réplicas expostas. Dentre os rascunhos do que posteriormente vieram a se tornar canções, podem ser encontrados "Rouxinol", de Milton Nascimento; "Águas de Março", de Tom Jobim; "Reza Forte", de BNegão, Russo Passapusso e Marcelo Seko; e "As Rosas Não Falam", de Cartola.

 

Na boca do povo

 

Uma sala ao fundo do primeiro andar apresenta trechos do documentário "As Canções" (2011), de Eduardo Coutinho. Nele, pessoas anônimas revelam ao cineasta músicas que marcaram suas vidas, contando as histórias relacionadas a isso.

Em outro espaço, em frente, uma obra dos cineastas Quito Ribeiro e Sérgio Mekler é projetada. A dupla retirou da internet vídeos de pessoas anônimas interpretando, à sua maneira, músicas brasileiras e vivenciando a cultura da qual fazem parte.

Uma pequena linha do tempo ajuda os visitantes a compreender a evolução do acesso à música, desde a época em que só podia ser apreciada ao vivo, passando pelo gramofone, pela vitrola, até chegar aos aplicativos de streaming, com armazenamento na nuvem.

Letras penduradas no teto, em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

Letras penduradas no teto, em exposição no Museu da Língua Portuguesa — Foto: Renata Bitar/g1

 

Serviço

 

 

  • Onde: Museu da Língua Portuguesa, portão A, na Praça da Luz, Centro de SP
  • Temporada: de 14 de julho a março de 2024
  • Quando: de terça a domingo, das 9h às 18h (entrada até as 16h30)
  • Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); crianças de até 7 anos não pagam. Acesso gratuito aos sábados

Fonte/Créditos: g1.globo.com

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