A farinha que ajudava a engrossar o feijão, durante a adolescência pobre de José Roberto Martins de Amorim, em Pernambuco, hoje dá forma aos pães fabricados pelo empresário e doados para pessoas em situação de vulnerabilidade todos os dias em suas sete padarias em São Paulo.
Aos 49 anos, ele faz parte de um grande ciclo de solidariedade espalhado pela cidade, que ajuda a alimentar quem precisa matar a fome já nas primeiras horas do dia, mas não têm condições de pagar. O g1 identificou 38 lugares na cidade que fazem a distribuição gratuita de café da manhã.
- 😷 Entidades, líderes comunitários e igrejas contaram ao g1 que o número de voluntários e doações estava em alta entre 2020 e 2021, o período mais crítico da pandemia de Covid, mas caiu de 2022 a 2023.
- ☕O g1 reuniu no “MaPÃO” pontos que ainda permanecem ao menos uma vez por semana com café da manhã na cidade e de forma gratuita.
- 🍞 São locais informados pela Arquidiocese de São Paulo, pela prefeitura ou indicados pelas próprias frentes encontradas pelo g1.
São 38 endereços no mapa, que pode ser atualizado, caso outros surjam, após checagem do g1. Para mais indicações a serem inseridas no "MaPÃO", encaminhe e-mail ao G1-SP@g.globo.
Café da manhã
O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia por ocorrer depois de um longo período de jejum, explica a nutricionista Fernanda Furmankiewicz. No caso do combinado de pão e café com leite, o mais oferecido nas ações sociais, a pessoa tem, no mínimo, a fonte de carboidrato no pão, e a proteína e o cálcio no leite.
"O café da manhã garante boa parte das necessidades de nutrientes que o corpo precisa. É pela manhã que o pâncreas está mais apto a produzir insulina, hormônio responsável por levar principalmente a glicose e outros nutrientes até as células. Diferentemente da noite, com a escuridão, quando sua produção cai, e o organismo passa a produzir mais melatonina, que é o hormônio do sono", detalha.
Entidades que fazem a entrega
No Centro de São Paulo, o Projeto Pão do Povo da Rua, que existe há três anos, é um dos que faz entrega de café da manhã gratuito (veja no mapa acima). É uma padaria formada 100% de forma solidária. No auge da pandemia, chegou a atender 75 mil pessoas por mês. Atualmente, são cerca de 22 mil pessoas alimentadas no período.
"Além de alimentar as pessoas, ao longo do tempo a gente começou a tirar pessoas em situação de rua e colocar para produzir o pão, para produzir os bolinhos. Hoje, a produção que é servida na rua é toda feita por pessoas que estavam em situação de rua e que estiveram na nossa fila, na fila da fome", conta Ricardo Frugoli, criador da ação.
O projeto é mantido por doações e parcerias para farinha, açúcar e outros insumos que são usados no pão.
Na Zona Norte, o Café Solidário é um grupo de amigos que, aos domingos, se encontra próximo ao Metrô Santana com um propósito: servir cerca de 300 refeições. O cardápio tem pão com mortadela, chocolate quente, suco, água e café com leite.
As doações dos mantimentos são de conhecidos, padarias dos bairros e colaboradores do café, segundo Taisa Ozorio, uma das integrantes.
Já a ONG Banco de Alimentos (OBA) não faz entrega de comida pronta. A equipe se desloca para coletar quem tem alimentos sobrando: indústrias, campo, supermercados e padarias. E entrega onde falta. Atualmente, são 57 instituições cadastradas que atendem diariamente 25 mil pessoas.
Ao g1, a equipe da OBA preparou uma lista de instituições atendidas que oferecem café da manhã com as doações da ONG. São 24 instituições que atendem idosos, crianças e jovens, pessoas em situação de rua ou em situação de vulnerabilidade.
Denisson D'Angiles, presidente do Instituto CEU Estrela Guia, faz parte parte da ação que acolhe pessoas em situação de rua desde antes da pandemia de Covid. O grupo voluntário leva café da manhã. À noite, entrega roupas, cobertores e alimentos.
"Durante toda a pandemia, servíamos marmitas cotidianamente, porém as doações diminuíram. E estas doações são muito importantes para nós."
O Instituto CEU Estrela Guia é uma das entidades que recebem recursos doados ao menos duas vezes por semana pelas padarias do empresário José Roberto Martins de Amorim, citado no início da reportagem.
Fonte/Créditos: g1.globo.com
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