Obviamente acontecerão antagonismos ostensivos no pleito do ano porvindouro. Todavia, na maioria das cidades os embates não estarão inseridos na contraposição entre Lulismo e bolsonarismo, mas nas dinâmicas políticas e realidades temáticas nativas.
Nesse contexto, os sectários provavelmente permanecerão estridentes na tentativa de obter atenção excessiva, orientados por hábitos e manifestações de grandiosidade, necessidade de admiração e ausência de empatia. Contudo, amargarão o mesmo destino de irrelevância cultural e insignificância representativa dos ultradireitistas norte americanos comungados ao Tea Party, uma vez que o protagonismo da militância reacionária tupiniquim ficará sob a égide das denominações pentecostais que contam com fieis transmutados em exército de mobilização, ancorado na revelação divina e nos preceitos cristãos.
Entretanto, alguns elementos da disputa de 2022 persistirão vigorosos, notadamente, a ressignificação de símbolos, signos e gramáticas. Em outros termos, a flexibilização e atualização da linguagem semântica, repleta de conteúdo metafórico precisará ser capaz de elucidar a substância extraordinária e intrínseca de segmentos gregários específicos. Elaborando uma análise livre das palavras da pesquisadora Viviane Costa, trata-se de evento edificado a partir de princípios antropomórficos “revisitado, revivido e reinterpretado”, continuando a releitura da historiadora, a busca incessante por delimitação de ecossistemas, onde seja factível localizar a “esperança, libertação, proteção e pertencimento”, ou seja, uma jornada que corresponda ao antídoto no combate as “injustiças, violência, exploração e fragmentação espacial”. Resumidamente, na campanha de 2024, o estrategista preparado deverá restabelecer as pontes que aproximam o pensamento onírico latente ao conteúdo axiomático, digo, “o sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas o sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Seixa).
A junção do universo lúdico que vive das próprias regras e lógicas em congruência com o mundo das experiências concretas, “acessível e possível de tocar”. Portanto, as futuras polarizações serão resultantes das extrapolações envolvendo os seguintes questionamentos: 1) Quais os modelos de desenvolvimento que poderão ser aplicados para potencializar a prosperidade comum? 2) Como produzir ambientes cidadãos, amigáveis e eficazes na expansão de oportunidades voltadas ao crescimento pessoal? 3) Como referenciar o diálogo que desmistifica o aprimoramento do paisagismo urbano enquanto sinônimo de bem-estar? 4) Como converter o debate focado na assertividade dos investimentos outorgados às intervenções estruturantes, programas de acesso a direitos básicos e vocação econômica em pressupostos observados incansavelmente pela coletividade? 5) Como adicionar na peça orçamentária pública discriminações direcionadas ao fomento da “felicidade” comunitária? 6) Quais seriam os valores éticos e humanitários imprescindíveis à pactuação de “compromittere” com maior amplitude e qualificação entre a autoridade institucionalizada e a sociedade civil?
Assim sendo, em 2024, a radicalização no posicionamento político-eleitoral fixará a contenda aos limites dos governos em exercício, onde os candidatos incapazes de compreenderem os caminhos da inovação, inevitavelmente, sucumbirão perante aos oponentes que assimilaram as exigências do cosmo em mutação, processo que incentiva o rompimento com abordagens defasadas e inaptas na geração de soluções diferenciadas as novas demandas e anseios populares.
Portanto, qualquer movimento multiplicador de conflitos odiosos perderá força para pautas ancoradas na crença de dias melhores e baseadas em laços fraternais. Vencerá quem demonstrar o arcabouço adequado para pavimentar o acesso do município na direção do progresso sustentável, justo e singularmente harmônico. Para tanto, o postulante terá de absorver profundamente a acepção da palavra “sintonia”, rememorando que segundo Albert Einstein a luz apresenta comportamento dual, propagando-se como onda ou partícula, em síntese, "dualidade onda-partícula".
Nilton C. Tristão
Cientista Político
Comentários: