Trechos das avenidas Brigadeiro Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo, Luiz Dummont Villares, e Zaki Narchi, na Zona Norte, vão ganhar a Faixa Azul, exclusiva para motocicletas, a partir desta segunda-feira (4).
Com isso, a cidade passa a ter 60,7 km de Faixa Azul. A prefeitura diz que a meta é implantar 200 km de Faixa Azul até o fim de 2024.
Na Avenida Brigadeiro Faria Lima as sinalizações que definem o espaço da Faixa Azul estarão entre a Avenida Pedroso de Moraes e a Rua Michel Milan, em ambos os sentidos, totalizando 9,2 km. Neste trecho, o fluxo de motociclistas é de 8 mil por dia.
Na Zona Norte, a Avenida Zaki Narchi terá a faixa destinada aos motoqueiros entre as avenidas Cruzeiro do Sul e Luiz Dumont Villares, em ambos os sentidos, somando 3,6 km. No trecho circulam 5,5 mil motos diariamente. Já a Avenida Luiz Dumont Villares recebe 5 km da nova sinalização para motos, em ambos os sentidos, desde a Avenida Zaki Narchi até a Rua Sevilha. Por lá, são 14 mil motos todos os dias.
As vias serão sinalizadas com o balizamento horizontal branco e azul e o entorno receberá placas indicativas das posições de início e término da faixa azul, placas educativas, lembrando do uso obrigatório da seta e da direção segura.
No início da operação, a Faixa Azul estará sinalizada também com faixas de vinil e banners educativos, destacando os comportamentos necessários para a segurança, como: atenção redobrada aos pedestres, o respeito à velocidade regulamentada e sinalização antes de mudar de faixa.
No último dia 6, foram implantadas Faixa Azul nas Avenidas Sumaré e Paulo VI, na Zona Oeste. As avenidas Sumaré e Paulo VI são classificadas como arteriais e, portanto, com velocidade máxima regulamentada em 50 Km/h e recebem aproximadamente 3.500 motos diariamente.
Quando o projeto piloto da faixa azul, implantado em janeiro de 2022 na Avenida 23 de Maio, completou um ano, a prefeitura divulgou que não houve nenhum acidente com morte na faixa. Depois, a administração informou que também não registrou mortes na Avenida dos Bandeirantes.
A autorização do ministério já tinha sido dada em agosto do ano passado. A prefeitura tinha um ano para ampliar o trecho da Avenida dos Bandeirantes e implementar as faixas das avenidas Santos Dumont, Tiradentes, Prestes Maia e Ruben Berta, mas perdeu o prazo dado e não viabilizou a implementação.
Veja as avenidas que ganharam autorização em setembro:
- Trecho 1: Avenidas Sumaré/Avenida Paulo VI e Avenida das Nações Unidas sentido Castelo Branco, entre Rua Prof. Campos de Oliveira e a Avenida Pe. José Maria e sentido Interlagos entre a Avenida Mario Lopes Leão e rua Prof. Campos de Oliveira;
- Trecho 2: Avenida Brigadeiro Faria Lima, Avenida Zaki Narchi e Avenida Luiz Dumont Villares
- Trecho 3: Avenida Miguel Yunes
- Trecho 4: Avenida Jacu Pêssego, Avenida Nova Trabalhadores, Avenida Vice-presidente José de Alencar Gomes da Silva e Avenida do Estado.
A escolha pelos novos trechos foi feita pela prefeitura.
Veja os trechos que já tinham autorização:
- Avenida 23 de Maio, no trecho entre Praça da Bandeira e o Complexo Viário João Jorge Saad, sentido Santana/Aeroporto, com extensão aproximada de 6 km;
- Avenida Santos Dumont, Avenida Tiradentes e Avenida Prestes Maia, entre a ponte das Bandeiras e a praça da Bandeira, com extensão aproximada de quatro quilômetros;
- Avenida Rubem Berta, entre o complexo viário João Jorge Saad e a Avenida dos Bandeirantes, com extensão de dois quilômetros;
- Avenida dos Bandeirantes, em ambos os sentidos, entre a via Marginal do rio Pinheiros e o viaduto Ministro Aliomar Baleeiro, com extensão de 8,5 quilômetros.
Como ainda é um projeto experimental, a implementação das novas faixas exige o atendimento de uma série de condições pré-estabelecidas pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran):
- as larguras das faixas devem ser de, no mínimo, 1,10 m entre eixos da sinalização horizontal para limite de velocidade de 50 km/h;
- de 1,20 m para limite de velocidade de 60 km/h;
- CET-SP deverá enviar trimestralmente à secretaria um relatório com as análises e conclusões do projeto Faixa Azul ao término do período experimental de um ano.
Os dados que a CET precisa repassar à Senatran:
- a quantidade de acidentes envolvendo motocicletas, motonetas e ciclomotores (número de acidentes, feridos e mortes) a cada mês, por sentido de tráfego nos trechos relacionados, nos últimos 5 (cinco) anos, incluindo o período experimental, englobando toda a via, suas faixas de rolamento, vias expressas e marginais e áreas de entrelaçamento;
- informação do Volume Diário Médio (VDM) classificado por categoria de veículo, por sentido de tráfego nos trechos relacionados, nos últimos 5 (cinco) anos, incluindo o período experimental;
- levantamento da velocidade operacional de cada faixa dos trechos relacionados, antes e após a intervenção;
- apresentar relatório detalhando o comportamento do tráfego em faixas com diferentes larguras.
O secretário de Trânsito do Ministério dos Transportes, Adrualdo Catão, reforça o caráter experimental das faixas e a importância de acompanhar a iniciativa para que, um dia, ela seja estendida a outras cidades. Os dados dos últimos cinco anos devem ser apresentados para se avaliar a eficácia da medida.
"A chamada faixa azul é o que a gente chama de uma sinalização experimental. Como ela não está prevista no Código de Trânsito, cabe à Senatran analisar os projetos das prefeituras. São elas que tomam a iniciativa e apresentam para a gente os projetos. Qual é a nossa posição com relação a isso? A gente quer encorajar os municípios, especialmente São Paulo, que é a campeã em número absoluto de mortes no trânsito", diz.
"É um experimento para a gente analisar no futuro se isso pode ou não ser universalizado. Vamos incentivar as cidades a chegarem a soluções que possam diminuir mortes no trânsito, especialmente de motociclistas", completa.
De acordo com a prefeitura, a análise do número total de acidentes envolvendo motos na Avenida 23 de Maio apontou também que houve a redução da gravidade nas ocorrências.
Em 12 meses, foram 98 acidentes de trânsito envolvendo motos no trecho de 5,5 km da Avenida 23 de Maio, sentido Aeroporto, que recebeu a nova sinalização.
Desse total, 44 ocorrências não tiveram pessoas feridas. Já os demais 54 acidentes causaram: 59 vítimas, sendo 51 com ferimentos leves e oito com ferimentos graves.
Trânsito intenso na Avenida 23 de Maio em São Paulo (SP) — Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo
A prefeitura informou que a análise da eficácia da faixa azul leva em conta: as características da via, os volumes de motocicletas circulando dentro e fora do espaço da faixa, a tipologia dos acidentes e o fato de as ocorrências terem gerado danos materiais ou pessoas feridas, a chamada taxa de severidade.
A taxa de severidade atribui pesos aos acidentes pela importância. O acidente com danos materiais, por exemplo, é o menos importante. Em oposição, aquele que resulta em morte é o mais importante. Além da gravidade, os pesos são relacionados ao volume de veículos e à extensão da via analisada. Quanto menor é a taxa de severidade, mais segura é a via.
Aplicando a metodologia às estatísticas do primeiro ano de funcionamento, entre 25 de janeiro de 2022 e 23 de janeiro de 2023, a taxa de severidade da faixa azul da Av. 23 de Maio ficou em 3,19 UPS/Milhão de Motos/Km (Unidade Padrão de Severidade por milhão de motos por quilômetro), informa a prefeitura.
Em relação à taxa de severidade das motos que circularam fora do espaço da faixa azul, a taxa é três vezes menor. Fora dela a taxa foi de 9,23 UPS/Milhão de Motos/Km.
Conforme a prefeitura, houve também a redução das médias de lentidão da Av. 23 de Maio, em 2022, em comparação com os índices do ano de 2019.
"A redução das médias de lentidão foi de aproximadamente 15%, mostrando que o novo espaço trouxe organização para o fluxo veicular."
Fonte/Créditos: g1.globo.com
Comentários: