O arquiteto e ex-BBB Felipe Prior foi condenado pela Justiça de São Paulo a seis anos de reclusão pelo crime de estupro. A decisão de primeira instância definiu o regime inicial de cumprimento de pena como semiaberto, e ele poderá recorrer em liberdade.
O crime que levou à condenação de Prior aconteceu em 2014 — e a mulher que fez a denúncia conversou com exclusividade com o g1 e com o Fantástico e deu detalhes sobre a noite da agressão.
Em nota, os advogados de Prior disseram: "A defesa de Felipe Antoniazzi Prior reitera a inocência de Felipe e que a sentença prolatada pela 7ª Vara Criminal de São Paulo será objeto de recurso de apelação ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo " (confira a íntegra abaixo).
As advogadas da vítima também conversaram com a reportagem e informaram que Prior foi denunciado por outras três mulheres. Os delitos teriam acontecido em 2015, 2016 e 2018 — o arquiteto se tornou réu em um deles e é investigado nos outros dois.
"Caso ele também venha a ser condenado nessas outras violências sexuais – o que a gente tem plena convicção, diante de tantas testemunhas, laudo, print, prontuário –
ele pegará, no mínimo, 24 anos de condenação", afirmou a advogada Juliana Valente, que também representa as outras denunciantes.
A criminalista explicou que esse cenário é possível porque a pena para o crime de estupro varia entre seis anos (pena mínima) e dez anos (pena máxima), ou seja, em caso de condenação com pena mínima nos outros três casos, a somatória seria de 24 anos.
"A gente acredita que ele pegue uma pena maior nesses outros casos. A gente espera, acredita na Justiça brasileira, que vão acontecer essas condenações desses crimes brutais. Depois de tanto sofrimento, essas vítimas vão conseguir o mínimo da Justiça, porque essa dor nunca vai ser reparada", disse Juliana.
Para a advogada, o tempo da pena na condenação relativa ao caso de 2014 também poderia ser maior:
"A pena poderia, sim, ser aumentada por conta da brutalidade do crime, por conta da personalidade do autor, por conta do modus operandi que o crime ocorreu; sem camisinha... Diante de toda essa violência, a gente entende, sim, que caberia um aumento de pena", pontuou.
Relatos das outras vítimas
Segundo a advogada Maira Pinheiro, que também representa as vítimas, todas as mulheres que denunciaram Prior descrevem casos que seguem modus operandi similar:
- "Ele aborda meninas alcoolizadas. Em geral, elas têm 20 e poucos anos. Franzinas. Essa parte da compleição física é bem comum", disse.
- "Insiste para investidas sexuais, é recusado. E aí a dinâmica assume contornos fisicamente violentos. De contenção física", continuou.
- "Uma coisa que a gente notou também é que essas falas de 'Eu sei que você quer, para de se fazer de difícil' aparecem nos diferentes casos", contou.
- "Ele diz que não as conhece. Que desconhece qualquer aspecto do relato delas", completou.
"No caso da Themis*, ele não tem como dizer que ele não estava lá porque existe o prontuário hospitalar da data seguinte ao dia do estupro, as mensagens que ele trocou com ela, em que ele manifesta preocupação sobre algo que acabara de acontecer", informou Maira.
(*nome fictício adotado pela defesa a fim de preservar a identidade da vítima do caso ocorrido em 2014)
Fonte/Créditos: g1.globo.com
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